A Associação dos Amigos do Basquetebol da Guiné-Bissau organizou hoje um torneio em Monte Abraão, Sintra, para angariar fundos para "o amigo Jack", como George Wright é conhecido. O evento reuniu cerca de 50 jovens e veteranos praticantes da modalidade que quiseram apoiar George..Alguns destes amigos foram depois a casa de George Wright, em Colares, Sintra, uma vez que 'Jack' está impedido de sair de casa por estar em prisão domiciliária. Entre abraços e palavras de "coragem" e de "força", Wright diz que "isto [a prisão domiciliária] não é um funeral", mostrando-se tranquilo, uma calma que Rosário, a esposa, confirma, afirmando que o marido é "muito caseiro" e que "não lhe custa estar em casa"..Rui Ferrage, presidente da Associação que organizou o torneio, explicou que cada jogador inscrito deveria contribuir "simbolicamente" com dois euros, um valor que "até pode ser insignificante mas [que] é uma forma de as pessoas dizerem que estão aqui, solidárias"..Pedro Said conheceu George Wright em 1982, na Guiné Bissau. "Aprendi muito com ele, devo-lhe tudo. É uma pessoa de quem não tenho razão de queixa, amigável, sensata, simples, honesta", relata Said, que ficou "muito chocado" com a notícia da condenação pelo homicídio de Walter Patterson, veterano da II Guerra Mundial e proprietário de uma bomba de gasolina em Wall, Nova Jérsia, nos Estados Unidos, em 1962..Um outro amigo, Francisco Rodrigues, diz estar "muito agradecido" a Wright, "uma pessoa cinco estrelas", que o ajudou "numa fase de transição" na sua carreira como basquetebolista quando, em 1992 saiu da Guiné-Bissau e veio para Portugal estudar e jogar basquetebol..Foi com "surpresa mas sempre com esperança" que Francisco Rodrigues soube que o amigo 'Jack' tinha sido condenado por homicídio. "Tenho esperança que a pessoa que eu conheço se tenha separado daquela que ele foi na primeira parte da história", disse Francisco Rodrigues..George Wright foi condenado pelo homicídio, em 1962, de Walter Patterson, proprietário de uma bomba de gasolina em Wall, Nova Jérsia, e veterano da II Guerra Mundial. Nos Estados Unidos falta-lhe cumprir os 23 anos de prisão que lhe restavam quando conseguiu evadir-se, podendo ainda vir a ser julgado pelo sequestro de um avião comercial em que fugiu com destino à Argélia..Portugal tem um acordo de extradição com os Estados Unidos, mas as limitações impostas pela Constituição Portuguesa neste domínio e o facto de George Wright ter adquirido outra nacionalidade e possuir documentação portuguesa poderão dificultar as intenções das autoridades norte-americanas.